Alexandre Allard vai explorar imóvel do Centro Histórico de Salvador pelos próximos 35 anos Responsável pelo projeto que transformará o Palácio Rio Branco, em Salvador, no primeiro hotel seis estrelas do Nordeste, o empresário francês Alexandre Allard, 57 anos, construiu uma trajetória marcada por negócios milionários, apostas ousadas, empreendimentos de luxo em diferentes partes do mundo e uma personalidade que costuma dividir opiniões. Hoje conhecido por investimentos em hotelaria de luxo e revitalização de patrimônios históricos, Allard começou a construir sua fortuna ainda adolescente, de acordo com entrevista que concedeu ao jornal francês Le Monde em 2008. Ele diz ter criado sua primeira empresa antes dos 18 anos, após importar dos Estados Unidos uma impressora a laser e softwares de editoração eletrônica. O negócio funcionava em um espaço de apenas 22 metros quadrados, instalado em um antigo açougue muçulmano nos arredores de Paris. Filho de uma família com recurso – ‘moderadamente abastada’ – e com parte da infância vivida na Costa do Marfim, na África, Allard abandonou o tradicional caminho acadêmico francês para apostar no empreendedorismo. Ainda nos anos 1990, diz ter percebido o potencial econômico dos bancos de dados e fundou a Consodata, empresa especializada em marketing direto. A ideia era simples para os padrões atuais, mas considerada revolucionária para a época: coletar informações de consumidores por meio de questionários enviados para residências em diversos países e transformar esses dados em inteligência de mercado para grandes empresas. O modelo deu certo. Em poucos anos, a Consodata acumulou informações de cerca de 580 milhões de domicílios ao redor do mundo e conquistou aproximadamente 10 mil clientes. A empresa abriu capital na Bolsa de Paris em 1999 e se tornou uma das líderes globais do setor. A virada definitiva ocorreu em 2002, quando a companhia foi vendida por mais de 500 milhões de euros. Aos 30 anos, Allard já tinha patrimônio suficiente para abandonar a vida empresarial. Ele tentou. ‘Quanto menos eu trabalhava, mais dinheiro eu ganhava’ Após a venda da empresa, mudou-se para o Caribe, comprou parte de uma ilha em São Cristóvão e Névis (Saint Kitts and Nevis) e passou anos viajando pelo mundo com a esposa e os dois filhos. Na entrevista ao Le Monde, chegou a afirmar que vivia uma situação curiosa: “quanto menos eu trabalhava, mais dinheiro eu ganhava”. A experiência, porém, trouxe um sentimento inesperado. Segundo ele, a vida de milionário sem ocupações acabou se tornando entediante. Na mesma entrevista, declarou ter descoberto “o vazio” da riqueza e afirmou que, depois de determinado nível de patrimônio, o dinheiro deixava de ter utilidade prática. Foi esse período que o levou a uma nova fase nos negócios. Em 2008, Allard entrou para o grupo controlador do Royal Monceau, um dos hotéis mais tradicionais de Paris. O empreendimento passava por dificuldades quando ele decidiu investir cerca de 200 milhões de euros na operação. Para reposicionar o hotel entre os mais luxuosos do mundo, contratou o designer Philippe Starck e apostou em um conceito que misturava hospedagem, arte contemporânea, gastronomia e experiências exclusivas para bilionários. Na época, Starck definiu o empresário como alguém com um perfil “napoleônico” e o descreveu como um dos últimos grandes aventureiros do mundo dos negócios. A relação de Alexandre Allard com a França também sempre foi marcada por polêmicas. Durante anos, ele criticou a carga tributária do país e chegou a viver no exterior, afirmando sentir-se perseguido pelo sistema fiscal francês. Ao mesmo tempo, cultivou uma imagem de empresário irreverente, frequentador de círculos artísticos e defensor de projetos culturais. Allard é o idealizador do complexo Cidade Matarazzo, em São Paulo, considerado um dos mais ambiciosos projetos de hotelaria e desenvolvimento urbano de luxo do Brasil. Inaugurado em janeiro de 2022, conta com hotel, galeria de arte, restaurantes, bares e edifício residencial. Agora, quase duas décadas depois daquela entrevista ao Le Monde, Allard aposta no patrimônio histórico de Salvador. O grupo ligado ao empresário venceu a concessão do Palácio Rio Branco por 35 anos e pretende transformar o edifício, um dos símbolos do Centro Histórico da capital baiana, em um hotel seis estrelas. Se o projeto sair do papel como planejado, será o primeiro empreendimento desse padrão no Nordeste e um dos poucos do Brasil voltados para o segmento ultraluxo. Segundo a Piauí, Allard mantém residência na ilha francesa da Córsega, é colecionador de obras de arte e vive em um tríplex no complexo Cidade Matarazzo, em São Paulo. Quando disponibilizada para hóspedes, a unidade pode ser reservada por cerca de R$ 260 mil por diária, valor considerado um dos mais altos da hotelaria brasileira. O Hotel Allard Cinco anos após a publicação do edital que concedeu à iniciativa privada o uso do Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador, foram apresentados os detalhes do projeto que transformará o imóvel em um hotel de luxo. O espaço histórico abrigará o Hotel Allard, empreendimento anunciado como o primeiro hotel seis estrelas do Nordeste. O projeto foi apresentado segunda-feira (1º). Segundo os responsáveis pela iniciativa, a expectativa é gerar cerca de 2,5 mil empregos diretos e indiretos ao longo das obras e da operação do complexo. As intervenções têm início previsto para esta semana, com prazo contratual de 36 meses para a conclusão. Na primeira fase, o hotel contará com 90 suítes. Destas, 27 serão instaladas no prédio histórico do Palácio Rio Branco, enquanto as demais ficarão em áreas integradas ao complexo, incluindo o terreno do Pau da Bandeira, que também passará por requalificação. créditos; Correio24horas
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