Alexandre Nardoni deixa a prisão 16 anos após assassinato da filha

Polícia

Na decisão, magistrado citou ‘boa conduta’ do réu, que deve ir para regime aberto e foi condenado pelo assassinato da filha em 2010

A Justiça de São Paulo determinou que Alexandre Nardoni deixe o presídio em Tremembé, no interior paulista, onde ele estava preso após o assassinato da filha, Isabella Nardoni, em 2008. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (6) e Nardoni foi liberado às 17h20. Ele deve cumprir o restante da pena de 31 anos de prisão a que foi condenado em regime aberto.

 

Segundo a decisão, a progressão para o regime aberto foi solicitada pela defesa e teve inicialmente parecer desfavorável do Ministério Público. O juiz José Loureiro Sobrinho, no entanto, considerou que Nardoni mantém boa conduta dentro da prisão, cumpriu mais da metade da pena e estava usufruindo das saídas temporárias, retornando sem falta para a unidade prisional.

O magistrado determina que o réu cumpra o restante da pena em casa, devendo comparecer de três em três meses à Vara de Execuções Penais. Nardoni deve permanecer em casa entre 20h e 6h, podendo sair para trabalhar. Ele não pode frequentar, bares, casas de jogos ou “outros locais incompatíveis com o benefício conquistado”.

O caso Nardoni

Em 29 de março de 2008 Isabella de Oliveira Nardoni, então com 5 anos de idade, foi jogada da janela do prédio de onde o pai, Alexandre Nardoni, morava com a esposa, Anna Jatobá.

O casal chegou a alegar que o crime foi cometido por um intruso no apartamento, mas ambos foram considerados culpados pelo júri popular. Anna Carolina Jatobá foi solta em 2023, quando também progrediu para o regime aberto. Ela deixou o presídio em junho.

Promotor disse que é ‘cedo demais’ para Nardoni ser libertado

Alexandre Nardoni não admite o assassinato da própria filha. Em entrevista ao blog True Crime, o promotor Luiz Marcelo Negrini defendia que o réu não devia seguir para o regime aberto porque ainda não assume a autoria do crime pela qual foi condenado. “É um crime muito grave para ele ter o benefício da liberdade agora”, opina Negrini.

Ele pedia à Justiça que Nardoni só progredisse ao regime aberto após ser submetido ao chamado teste de Rorschach, que mensura traços da personalidade do indivíduo.

No final do mês passado saiu o resultado do terceiro exame criminológico que Nardoni fez em Tremembé. O trecho mais curioso do novo relatório, aponta o blog True Crime, refere-se justamente às percepções do réu sobre o homicídio da filha: “O sentenciado demonstra ter consciência da gravidade do fato. Contudo, não expressa arrependimento por algo que não cometeu. Seus sentimentos são de dor pela perda da filha. Ao longo dos anos, tem interposto recursos, reunindo elementos novos, alguns não considerados, visando provar sua inocência e chegar ao verdadeiro culpado”, diz relatório assinado pela assistente social Adriana Campos em 19 de abril de 2024.

créditos: extra.globo.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *